SALIVA NÃO SERVE

Governo alerta sobre teste de saliva para Aids Ministério da Saúde diz que esse exame não deve ser usado para diagnóstico pois seus resultados não são conclusivos

Material tem sido usado por ONGs; empresa que doou os kits diz que eles servem para fazer triagem antes do teste oficial para diagnóstico

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL

Em resposta às ONGs (organizações não-governamentais) que oferecem o teste rápido de saliva para detectar o vírus da Aids, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado em que recomenda que esse exame não seja utilizado “neste momento com finalidade de diagnóstico”.
O alerta, enviado às secretarias de Saúde dos Estados e municípios, fez-se necessário porque o teste de saliva, apesar de ter registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ainda não foi aprovado para integrar os protocolos brasileiros de detecção do vírus HIV.
Isso significa que a aplicação do teste de saliva não é ilegal. Seus resultados -que saem em 20 minutos-, porém, não são conclusivos. “Se der positivo, a pessoa só terá o diagnóstico definitivo após refazer o exame [de sangue] com o algoritmo oficial”, diz a diretora do Programa Nacional de Aids, Mariângela Simão.
Os protocolos oficiais, que valem para a rede pública e laboratórios particulares, exigem que o sangue de uma pessoa seja avaliado ao menos duas vezes, com técnicas diferentes e aprovadas pelo ministério.
As ONGs que oferecem o exame de saliva OraQuick, de origem americana, ficam em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Os testes -cerca de 10 mil- foram doados pelas empresas Bioeasy e Interamerica, responsáveis pela marca no Brasil.
Vinícius Pereira, dono da Bioeasy, diz que o intuito do teste de saliva “não é diagnosticar o HIV”: “É fazer uma triagem da população testada e conscientizá-la da importância de realizar o exame. Se der positivo, o paciente será encaminhado a um posto médico para fechar o diagnóstico”.
Ele admite que a doação de testes a ONGs tem fins de publicidade. “O pessoal tem que conhecer, perceber que saliva é mais interessante que sangue.”
O Fórum das ONGs/Aids de São Paulo distribuiu um alerta em que pede às ONGs do Estado que “não incorporem os testes rápidos por meio de saliva como diagnóstico” e lembra que são necessários “profissionais treinados” e “aconselhamento pré e pós-teste”.
Na avaliação do Ministério da Saúde e de militantes da área de saúde, a Bioeasy e a Interamerica esperam ganhar o apoio das ONGs para pressionar o governo a incluir o teste de saliva nos protocolos oficiais.
A ONG Grupo Pela Vidda, de São Paulo, recusou os exames oferecidos. “Não se pode forçar a introdução de um novo teste pela porta dos fundos”, diz Mário Scheffer, da ONG.
Pereira, da Bioeasy, afirma que não faz sentido o OraQuick ter a aprovação da Anvisa, mas não a do Ministério da Saúde. “Parece que o ministério está duvidando [da Anvisa].”
No Brasil já há testes rápidos de HIV, mas são feitos com sangue. Cada exame custa cerca de R$ 6. O de saliva, R$ 60.

Fonte: Folha de S. Paulo – 02/11/09

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